Ontem houve greve dos professores, e houve malta que fez
exame e outra que não fez. Os que fizerem, fizeram no balneário, com um
professor maroto a vigiar – diz que já estava habituado a vigiar miúdos no
balneário e que faz aquilo por gosto.
Por um lado os professores não pensaram nos alunos, que
estiveram a estudar muito para aquele dia e depois não puderam libertar o
conhecimento que tinham acumulado no papel, por outro lado, pensaram nos alunos
que estiveram a noite anterior a fumar ganzas e a beber litrosas e que não
acordaram a tempo de ir ao exame.
Podiam ter feito Greve noutro dia de aulas normal, e de
preferência com sol, assim ainda dava para ir para a praia investir no estudo
do sentimento telúrico de Miguel Torga.
Uma vez que a Greve já estava marcada antes do exame, o
Ministério de Educação podia mudar a data do exame para outra altura, mas
preferiu não o fazer, para haver barulho, descontentamento dos alunos e dar
oportunidade ao Ministro da Educação de ser achincalhado como os seus colegas,
mantendo assim o consenso politico: Se é para ser estupido e incompetente, que
sejamos todos.
O aumento do horário de trabalho para 40 horas semanais e a
mobilidade especial, foram o mote para esta Greve. Estamos em crise, todos
temos de fazer sacríficos, e os professores não são mais nobres que qualquer
outro profissional desta vida, nem podem ser exceção, apesar de serem eles os
responsáveis pela formação das nossas gerações futuras.
Existem muitos professores da velha guarda, que tiverem e
continuam a ter condições de trabalho muito boas. Alguns têm horário zero,
recebem salários mais do que dignificantes e não querem arredar dali o pé por
nada deste mundo. Eu acho que é porque acabaram por ficar muito apegados à
biblioteca que lhes deram para tomar conta e porque a sala de fumo dos
professores tem uns bancos giros e vendem uns bolinhos muito bons. Estas velhas
raposas do ensino tiram o lugar às raposas mais novas, que não são colocadas,
ou são a colocadas a 150 Klms de casa. E que no limite, são convidadas a
emigrar.
O que quero com isto dizer, é que alguns professores, foram
beneficiados em tempos de vacas gordas, agora querem acabar com isso e por uns
pagam os outros. É assim em todo o lado, por exemplo, a minha renda que já é
alta, foi aumentada porquê? Porque a soma das rendas dos inquilinos do meu
prédio é inferior ao valor de renda que eu pago, e se é para aumentar é para
todos...
Também é verdade que existem mais professores do que alunos.
E isso a culpa é do preservativo e das pessoas que se guardam para depois do
casamento, depois quando fazem putos fazem quase sempre tarde e só conseguem
ter um puto, que nem sequer dá nada para os estudos.
Sem bases factuais, também acredito que existam por aí
montes de professores por colocar, que acreditaram que havia mercado de
trabalho para eles, mesmo sabendo que o mercado de trabalho estava mais
estrangulado que a garganta da Nigella. Eu sou Licenciado em Gestão, mas não
fiquei à espera que fosse colocado como Gestor. Procurei, não encontrei,
perguntei ao meu pai se me arranjava um tacho e ele riu-se. Então fui para um
callcenter trabalhar.
Relativamente ao horário trabalho, lá está, posso estar a
ser injusto porque não sei todos os factos. Mas não estou a ver qual é o
problema! Os funcionários do privado, trabalham quase sempre mais do que 40
horas semanais no local de trabalho, e muitos levam trabalho diário para casa
(semanal também). E têm ainda de ter saúde para aguentar todo o trabalho,
porque recai sobre eles a responsabilidade de pagar a ADSE dos funcionários
públicos, e ainda ganhar o suficiente para poder pagar a própria saúde.
A verdade, é que os professores não gostam de nenhum corte,
ou retirada de regalias que venha do ministério da educação, independentemente
da sua cor politica.